Classe média
Fonte: Correio da Paraíba
A tendência dos mais velhos é falar que “no meu tempo” isso ou aquilo era melhor. Dos dias perdidos no tempo tiramos muitas lições para aplainarmos um futuro melhor. Esta maneira de lembrar o passado para compará-lo com as agruras do presente está cada vez mais em moda, especialmente na classe média nacional. Apertada pelos impostos e alguns hábitos mantidos até a virada do século, cidadãos que viram seus pais dar-lhes conforto agora se sentem impotentes para repassar aos seus filhos igual padrão de vida.
A classe média, 20% da população brasileira, está perdendo mobilidade social, gasta cada vez menos com diversão, passeios e não tem comprado ou realizado a maioria dos chamados sonhos de consumo.
No Brasil, a classe média representa a parcela mais bem educada da população, ocupando a maioria dos postos de trabalho com maior agregação de valor, gerando 50% da renda nacional. Com a queda de padrão, a classe média, que aglutinava os padrões A e B, está agora na linha C, de 30% a 35% dos brasileiros. Altos impostos que levam quase 43% da renda bruta das famílias, percentual maior do que os pobres, obviamente, mas também superior ao que os ricos pagam, economia estagnada e serviços públicos que obrigam a ter planos de saúde, segurança, colégios pagos e aposentadoria suplementar, abrangendo inclusive os filhos, desmotivaram o segmento socioeconômico fundamental em qualquer país.
Entre 140 mil a 160 mil jovens classe média, com boa formação escolar, deixam o País anualmente, buscando oportunidades no exterior. Aqui, a classe média paga por serviços públicos que não desfruta, que são dirigidos aos mais pobres. Em paralelo, o Brasil continua exportando produtos agropecuários e bens de baixo valor agregado, feitos por mão-de-obra barata. Esta combinação é perversa, pois não gera emprego para a classe média. Onde se chegará?