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Custos das incertezas

Paschoal Savastano

 

O mundo moderno alvo de várias denominações passou a ser caracterizado por uma série de incertezas. As contradições sociais existentes, as polêmicas medidas econômicas e o generalizado sentimento de insegurança formam a parcela substancial de nossa realidade. Declinadas condições estão modificando a liberdade de viver e a maioria dos projetos humanos.

A ciência jurídica reconhece ser a sociedade atual nitidamente criminógena, influenciada pela prevalência dos valores materiais sobre as referencias morais. Uma civilização voltada aos anseios de dinheiro, sexo, droga, lucro e ambições econômicas. Uma conjuntura social dominada por desmedidas competições e pela luta da sobrevivência.

 

Os avanços sociais obtidos e as conquistas do progresso não diminuem a vulnerabilidade a que todos os cidadãos estão expostos. Ao lado dos caminhos do desenvolvimento perdura o contingente dos excluídos e uma crescente marginalidade repleta de conflitos, geradores das diversas formas de violência.

 

Diante dos contundentes cenários, surgem movimentos redentores, alimentando esquecidas esperanças e amenizando a dor do coração dos homens. Pastores de diversos credos e igrejas,  pregam o valor da humildade e prometem o milagre da fé.  Relembram a comovente mensagem de que, em religião nenhuma existe céu para aqueles que odeiam.

 

A política continua a ditar os sugestivos capítulos da vida do Estado brasileiro.  A corrupção, melhor enxergada pela sociedade, passou também a correr riscos, apesar da extrema ousadia de seus protagonistas. O comércio de votos sofre revisões. Nas disputas governamentais, os eleitores tidos como certos, além do dinheiro, calculam a biografia dos candidatos e seus graves envolvimentos.

 

A ordem social sofre com o aperfeiçoamento profissional dos delinqüentes. Cresce o fortalecimento de seu poder de corromper as instituições e ameaçar a organização da sociedade. Atuam como verdadeiros agentes econômicos, avaliando custos e benefícios, medindo riscos e explorando a  vaidade das insensatas lideranças.

  

A população também é atingida pelas mudanças das estações. As estatísticas revelam que durante o período do verão há mais gente nas ruas e na noite. As áreas de divertimentos aumentam de atrações e interesses.  As ocorrências de caráter de violência se multiplicam, exigindo constantes medidas repressivas.

 

As notáveis vacilações da política econômica são decididamente danosas para um grande número de brasileiros. A busca do necessário e decantado crescimento recomendam manter a inflação sob severa observação. Os modestos salários dos trabalhadores e aposentados vivem sob rígido controle. A democracia, sempre o melhor dos regimes, renova acolhedoras esperanças e faz aceitar os custos de tantas incertezas.