Leitura e desenvolvimento
Fonte: Jornal Diário do Nordeste
Transcorre neste domingo o Dia Nacional do Livro. É uma data que simboliza a imprescindível base na qual se estruturam o processo educacional, a maturidade cultural e a solidez de todos os outros elementos impulsionadores do progresso socioeconômico de um país.
No Brasil, embora nos últimos anos venham caindo os índices de analfabetismo, o hábito de ler está longe de acompanhar esse avanço otimista. Entre outras razões, o reduzido apreço à leitura decorre tanto da educação ineficiente, ou omissa, quanto do baixo poder aquisitivo da população.
Acrescenta-se como agravante a constrangedora proliferação do chamado analfabetismo funcional. Em alarmantes proporções, ele impede pessoas, supostamente aptas à compreensão da leitura, de conseguirem assimilar, mesmo de maneira superficial, o conteúdo de um simples parágrafo de texto escrito.
A média de leitura por habitante no País não chega a dois livros por ano. Esse aspecto posiciona o Brasil em situação de desvantagem em relação a outros países latino-americanos. Do mesmo modo, evidencia-se um projeto de cristalização que alija a leitura da relação de prioridades na formação do conhecimento.
Algumas correntes pedagógicas criticam a popularização crescente da Internet como uma das causas do desinteresse pela leitura do livro com suporte de papel. As pesquisas, entretanto, revelam o contrário, apontando a revolução tecnológica como fator de incremento aos satisfatórios índices de venda registrados no campo da literatura infanto-juvenil.
O que se discute é a má qualidade dos livros preferidos, indistintamente, por faixas sociais de diferente poder aquisitivo. Lideram a lista dos mais vendidos os repetitivos manuais de auto-ajuda e as confissões pessoais beirando o escatológico.
Após décadas de sucesso em outros países, as edições em livros de bolso (“pocket-books”) encontram-se na pauta de várias importantes editoras nacionais, com apurada seleção de suas publicações, a enfatizar de preferência os clássicos da prosa literária. Esse enfoque vem ao encontro do apelo de nove milhões de pessoas pesquisadas, as quais, embora desejosas do contato mais estreito com a cultura, não têm condições financeiras para adquirir livros em edições tradicionais.
Faz-se necessário, além de dar continuidade ao desenvolvimento de planos editoriais com preços mais acessíveis ao consumidor, a criação de novas bibliotecas abertas ao público, sobretudo nos municípios de menor porte. Em paralelo, deve ser incentivada a realização permanente de campanhas de estímulo à leitura, entre adultos, crianças e adolescentes.
No âmago da questão, está a imperiosa necessidade de a escola conscientizar-se da necessidade de induzir os jovens ao hábito de ler, não apenas as publicações estritamente didáticas, mas todos os válidos meios de conhecimento que a leitura oferece, desde os bons jornais aos clássicos da literatura.