Presença do Estado
Gil Pacífico Vieira – Especialista em Gestão Pública.
As mudanças ocorridas na administração pública brasileira nas duas últimas décadas provocaram uma verdadeira revolução nos conceitos, na cultura e na forma de trato com os serviços públicos. A administração burocrática, voltada para processos, cede lugar a uma administração pública cada vez mais centrada em resultados, ou seja, buscando um gerenciamento que maximize a utilização dos recursos destinados ao atendimento do cidadão.
As mudanças ocorrem principalmente, fruto do aumento da participação da sociedade em exigir um serviço público de maior qualidade, com mais transparência e eficácia nos gastos. Na contramão desse movimento, a política, da forma que é praticada no país, desvirtua completamente as mudanças que a sociedade quer no trato com o gasto público. Os históricos anseios patrimonialistas da classe dirigente emergem com tal velocidade que fica a interrogação. Será que o Estado brasileiro suportará tamanhas pressões dos grupos organizados por maiores fatias do orçamento público? O Estado Brasileiro não cabe no PIB brasileiro, esta frase dita por um economista está cada vez mais atual. Quanto poderemos suportar mais a falta de investimentos em infra-estrutura, em segurança, em educação, etc. Em recente entrevista à Folha de São Paulo, o governador Aécio Neves, sobre o assunto, explica “na administração pública, fazer mais com menos significa, antes de mais nada, gastar menos com o Estado e mais com o cidadão”. Ou dito de outra forma, os recursos alocados ao setor público têm aumentado com gastos correntes, despesas com a manutenção de um Estado cada vez mais refém de si mesmo. A sociedade precisa continuar discutindo o tamanho do Estado brasileiro e a qualidade dos gastos públicos, já que o cidadão compreende que paga impostos e recebe serviços de baixa qualidade. Necessitamos de um Estado com um tamanho que não inviabilize a transformação urgente do nossos indicadores sócio-econômicos.
O ex-presidente FHC disse: “administrei um Estado clientelista, patrimonialista e sobrevivi”. Bem, a verdade é que o modelo político atual, acaba necessitando da perpetuação de um Estado grande para a manutenção da estrutura de poder vigente e pequeno em atender as demandas cada vez maiores dos cidadãos.