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Santos Dumont

- Jornal Diário do Nordeste

Quando o governo federal decidiu escolher 2006 como o “Ano Nacional Santos Dumont”, esperava-se uma programação de grande porte para assinalar o pioneirismo do gênio brasileiro, ao comprovar a dirigibilidade aérea de equipamentos mais pesados que o ar. Na fase final, os festejos são tímidos.

Essa insuficiente atenção para com as personalidades nacionais é marca da cultura brasileira, que relega ao esquecimento a figura de Bartolomeu de Gusmão, outro pioneiro, antes de Santos Dumont, a fazer um objeto deixar o solo e se manter no ar. As últimas gerações já não ouvem falar de seu feito e da contribuição para o invento de Santos Dumont.

Como ele, há dezenas de pioneiros esquecidos até mesmo no meio onde atuaram, como o professor Manoel Dias de Abreu, inventor do tratamento da tuberculose, como método de diagnóstico coletivo, quando essa doença se propagava em massa. Sua inventiva possibilitou o combate e controle da epidemia. A denominação abreugrafia para seu invento foi uma das poucas homenagens a ele atribuída, em 1936, por ocasião do 1º Congresso Nacional de Tuberculose. Nas clínicas radiológicas, deveria haver, pelo menos, um busto do professor Abreu para difundir entre o grande público os benefícios por ele proporcionados à Humanidade.

A ciência nacional é cheia de valores extraordinários. Na área de física, entre centenas de criadores, pontifica a obra de Mário Schenberg, considerado por Einstein como um dos dez maiores cientistas do mundo. Sua contribuição circula pela física clássica, mecânica estatística, mecânica quântica, relatividade e eletromagnetismo.

O País dispõe de 50 mil pesquisadores atuando na universidades e centros de pesquisas governamentais e da iniciativa privada. Todos os anos, são catalogados avanços de elevada expressão, como o biodiesel desenvolvido pelo professor cearense Expedito Parente. A maior parte fica restrita ao meio universitário e às empresas com investimento em tecnologia.

No campo da biologia, Maurício Rocha e Silva e Wilson Teixeira Beraldo descobriram a substância bradicinina, potente vaso dilatador, responsável pelo aumento da qualidade de vida dos hipertensos. Esse invento rende à indústria farmacêutica US$ 10 bilhões.

Os experimentos de Alberto Santos Dumont possibilitaram os fundamentos da conquista aeroespacial, classificada como um dos motores de propulsão do progresso material. Sem ele, o homem jamais chegaria à Lua, exploraria a indústria aeronáutica e desenvolveria os estudos revolucionários sobre o espaço cósmico.

Em passado recente, houve esforço para dar a denominação, em cada cidade brasileira, de avenida, rua ou praça com o nome do nosso maior engenheiro aeronáutico. Até por tal propósito, no centenário do vôo do 14-Bis, pressupunha-se haver uma mobilização maior em torno de seu vulto, um dos poucos brasileiros que possui dimensão internacional. Nossas homenagens ao Pai da Aviação.